Joanesburgo - Kenaaaaako!

Johanesburg (ou simplesmente Jo'burg como seu povo costuma chamar) é a maior cidade da África do Sul e nela os extremos são mais evidentes.
Pobreza e riqueza, construções históricas e edíficios modernos, criam um forte contraste na capital da província de Gauteng.
Com cerca de 5 milhões de habitantes Jo'burg foi fundada em 1866 com a descoberta de ouro na área, em 1900 contava com 100 mil habitantes, mas com a notícia de ouro se espalhando, milhares de pessoas de outras regiões se estabeleceram na área, vindas principalmente da América do Norte, Reino Unido e resto da Europa (O livro "O reverso da medalha" do Sidney Sheldon faz um bom relato dessa época). Com a supervalorização das terras, as tensões cresceram entre os africânders, que controlavam a região durante o século XIX, e os britânicos, culminando na Segunda Guerra dos Bôeres. Os bôeres perderam a guerra e o controle da área foi cedido aos britânicos.
Com a União Sul-africana declarada em 1910, o governo passou a controlar mais as áreas de extração. Instituiu um sistema de segregação racial em que negros e indianos só poderiam ter trabalhos braçais, morar em "favelas", não tinham direito a posse de terras, nem nunca, jamais, pisar na mesma calçada que os brancos, dentre muitas outras incredulidades. Essa mudança da população não-européia para as áreas delimitadas foi forçada! E é neste momento que o sistema cria a Township, de South Western Townships (espécies de favelas), mais conhecida como SOWETO, onde Nelson Mandela viveu por diversos anos.



As regras do apartheid foram abolidas somente em fevereiro de 1990, desde as eleições de 1994, Joanesburgo se viu livre das leis (porém não da consciência) discriminatórias e Nelson Mandela, militante mais famoso da luta do apharteid virou um ícone mundial da reconciliação e do perdão.

Das grandes cidades sul-africanas, Joanersburgo é, sem dúvida, a que tem mais a cara da África, muitos imigrantes vêm de países vizinhos (em especial Moçambique e Nigéria) para tentar a vida no país mais rico do continente e o resultado disso é um mix de cultura, etnias, danças, artesanato e línguas. A maioria dessas pessoas que vem de outros países acabam ficando em Jo'burg não só pq é a maior cidade e acreditam ter mais chances de emprego, mas também pq o país é grande e seria mais fácil e menos oneroso se instalar ao norte do que ter que atravessar o país inteiro.
Se vc está indo a África, ainda não decidiu quais cidades visitar e está na dúvida sobre ir ou não à Joanesburgo... te confesso que esse é um assunto polêmico, ou pelo menos foi entre o nosso grupo... e pra não te enrolar muito vou ser bem objetiva na minha opinião: Se vc tem mais de 10 dias reservados para a África e gosta de grandes metrópoles então inclua essa cidade no seu roteiro, se não, não!!!
Eu diria que Joanesburgo está para a África do Sul assim como São Paulo está para o Brasil, uma cidade grande, muita gente, muito importante economicamente para o país, talvez a mais importante, porém sem o transito de SP e com 1/4 das opções paulistas de lazer noturno (Farei um post depois sobre restaurantes, comidas, bebidas e a noite da África).

Jo'bburg é uma cidade enorme, com muitos prédios, shoppings, lojas de luxo, parques, restaurantes, grandes hotéis, e muito... mas muuuito dispersa! Tudo é absurdamente longe e o transporte público não é eficiente, portanto se vc não quer andar de van ou pagar uma fortuna com taxis, é imprescindivel que alugue um carro.

O aluguel de carro, assim como quase tudo na África, é barato (pagamos algo em torno de 13.000 Rands por 28 dias, num carro automático, + um bom seguro e o fundamental GPS), sem muita burocracia, mas atenção, em todo o país a mão é inglesa!

Da mesma forma que outros países colonizados pela Inglaterra, a África do Sul tb herdou essa tradição que pode transformar seu passeio numa atração a parte ou num desastre total, heheh... então para evitar qualquer contratempo, ou melhor, tentar evitar, é melhor que vc alugue um carro automático que já facilita e lhe sobra apenas a direção e a mão certa para se preocupar.

Confesso que ainda assim nossa chegada foi meio conturbada, o transito invertido, a cidade enooooorme, muitos viadutos, muitos desvios, bifurcações, que nem com o GPS conseguiamos nos encontrar e fomos parar no centro da cidade, área não aconselhada para turistas desacompanhados. Eh que ao contrario de muitas cidades brasileiras onde no suburbio normalmente se encontram as invasões e favelas, no suburbio de Jo'burg estão os melhores bairros, ou seja, quanto mais afastado da cidade melhor é a vizinhança e quanto mais no centro menos seguro vc está. Os melhores suburbios para ficar são: Sandton, Randburg, Rosebank, Melville e Melrose.

Da primeira vez fiquei 7 dias numa Guest House, Nº 21 na 6th Avenue, Melville. Uma área segura e tranquila. O proprietário se chamava Freek (Fone: 082-39-85-019; email: freek.heukelman@firstrandbank.co.za), sul-africano, muito simpatico e solícito, sempre preocupado se estavamos bem, normalmente se oferecia para nos ajudar com a programação do dia, com a escolha de um restaurante, etc.
O proprietário, a esquerda e as duas pessoas que costumavam preparar nosso cafe-da-manhã.


Nosso quarto


A parte de trás da casa.

Já na segunda vez ficamos por dois dias numa guest house em Sandton, apenas 5 min de carro do Mandela Square, numa espécie de condominio fechado. A casa e o nosso quarto eram excelentes, na casa tinha de piscina à quadra de tenis (ambos sem utilidade no inverno), tudo muito moderno e novo, o quarto era grande, uma especie de anexo a casa, com uma cozinha totalmente equipada. O estranho é que os proprietários moravam lá, era uma família sul-africana, com duas crianças pequenas. Este teria sido melhor que o primeiro se tivesse café da manhã e eles dessem a chave do portão pra gente, pois não davam e independente da hora que chegavamos tinhamos que ligar (de um cel. dado por eles, com credito e tudo) para abrir o portão. A mulher se chamava Michelle (Fone: 082-55-38-301; email: micmon@iafrica.com ), muito educada e simpatica assim como o marido. Em termos gerais acho que este ultimo era melhor sim, devido a localização e acomodações, pena não ter fotos.

Bem, como disse anteriormente, ou quis dizer, pra quem vai à Africa do Sul não é regra visitar Joanesburgo, mas a maioria das pessoas o fazem principalmente pq além da maioria dos vôos chegarem lá, ainda é dessa cidade que saem as visitas ao principal e maior (19.000km²) parque para safari, o Kruger Park.

Eu acabei não indo ao Kruger, optamos pelo Pilanesberg Park onde também era possivel ver o Big 5, afinal nosso tempo era curto e o Kruger muito longe! Um parque é considerado bom e completo para safari quando se pode encontrar nele os Cinco grandes ou "Big Five", que são: o bufalo, elefante, rinoceronte, leão e o leopardo, porém é muuuito raro ver todos, para isso é preciso, na maioria das vezes, mais de um dia de safari e se hospedar em hoteis dentro ou na redondeza dos parques. Há, basicamente duas maneiras de fazer um safári. A mais economica é hospedar-se nos alojamentos do parque (ou fazer bate e volta), pegar o seu carro e percorrer as estradas (quase todas asfaltadas) até ver alguma coisa. A outra é escolher um dos muitos campos privados da região, onde vc vai ter hospedagem de primeira e emoção mais autentica, circulando em Land Rovers abertos, guiados por pessoas experientes.

Não fizemos nem um nem outro completamente. Nós, por comodidade, fechamos o passeio com um guia sul-africano por dois dias que incluia no primeiro dia o Lions Park, almoço num restaurante típico e uma visita ao famoso bairro de SOWETO; e no segundo dia o safári no Pilanesberg Park, + o tradicional churrasco sul-africano dentro do parque e uma passada rápida na volta no Complexo de Sun City.

A praia artificial do complexo de Sun city.

Acho que foi a melhor coisa que fizemos e acho tb que pegamos o melhor guia possivel. Ele era um amorrr, engraçadissimo e sempre com boas explanações a respeito do povo, da historia, da politica, dos animais. Uma semana antes, quando o Pato esteve na África do Sul ele foi o seu guia, acreditam??? Nos mostrou foto e tudo, além de um belo agradecimento do jogador no seu "guest book". Acho que o Tim (como ele se chamava) deu um outro significado a nossa visita à Jo'burg, ao final destes dois dias de passeio com ele e alguns colegas mexicanos, chilenos e argentinos sem dúvidas aprendemos muuito mais do dia-a-dia do povo sul-africano.

Portanto, se forem à Jo'burg e precisarem de qualquer serviço turistico não exitem em chamar o Tim, ele faz desde passeios como estes até planejar toda sua viagem.



Mas se por outro lado vc ta querendo economizar, da pra fazer todas essas programações por conta propria, com exceção do churrasco no parque, afinal o churrasco deles ("braai") nada tem a ver com o nosso e foi todo preparado pela esposa do Tim que mandou tudo bonitinho e pronto pra assar. Ficamos com a simples tarefa de come-lo apenas. Ah, em pé, em volta do fogo, como manda a tradição :-)


O Lion's Park é imperdível pois pode ser a sua única chance de ver os Leões já que no safari eles são sempre os mais dificeis de se ver.


video


Tivemos, a principio, 7 dias em Jo'burg. Sendo que o primeiro de chegada foi quase perdido com tanta coisa pra fazer. Dois deles eram jogos do Brasil, e dois fechamos com o Guia, nos sobrou basicamente dois dias por conta própria, os quais aproveitamos indo ao:
- Gold Reef City, um parque temático com tobogans, passeios de bóia, restaurantes, casino, museu, etc. (Vale uma visita)
- MuseumAfrica (Vale uma visita)

- Market Theatre Complex (Fraco)

- Museu Hector Pieterson (Muito Bom)

E, infelizmente, não fomos ao Museu do Apartheid e nem no Montecasino (o principal casino da cidade), o que eu faria diferente se fosse vc!

Bem, com essas dicas e seguindo um roteiro mais ou menos parecido com o nosso, no final da viagem, vc não será um expert em Joanesburgo, assim como eu tb não sou, mas com certeza terá vivido férias maravilhosas. Sem dizer que, muito provavelmente, sua percepção sobre a Africa do Sul terá sofrido grandes mudanças.





Bjos,
By R.A

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